Sabe quando a preciosidade só é percebida no momento em que é perdida?
Pois ela sempre radiou o magnífico brilho da arte que o mais nobre e impecável artesão tremeria com a ideia de tentar reproduzir. Tão esplendorosa quanto o horizonte contemplado por Eos. Foi ela, somente ela, musa das musas, tão doce quanto a própria doçura, a inspiração para o desabrochar das flores que, então, tentam uma cópia de seu aroma.
Dona dos lábios que formam o sorriso de Eros ao empunhar seu arco junto à flecha de ouro. Sim, dona do sorriso mais belo. Mas com um toque de timidez, se torna ainda maior.
Com aquela voz de Calípoe, me punha sereno quanto excitado por mais um único beijo dos lábios macios, rosados e doces naquele lindo rosto brando e tênue.
Tudo tão de repente, que eu nem soube quando começou. Um romance nasceu e esperou por um momento a sós para finalmente acontecer. E aconteceu muitas vezes de corpos juntos ou distantes, mas com a mente tão perto uma da outra que não parecia importante o plano físico.
Os sonhos mais lindos, as palavras mais belas, os versos mais sinceros foram um tributo ao anjo. Ela, o único morango que combatia minha febre apaixonada.
O olhar penetrante e delicado para o meu, oferecia aos meus dias um toque a mais de ternura. E com a mágica de cada toque, tudo se tornava nada, só nós existíamos num universo nosso onde existia apenas um ser completo. Ágape, philia e eros unidos em algo novo para o mundo e não pra simplicidade primaveril que eu sentia em contemplar seu jeito meigo.
Deus sabe o que senti quando fui envenenado pelo desespero de Romeu que, nos braços de sua amada, partiu à eternidade. Humanamente desesperado pela incerteza.
E nas horas em que devia abrir os olhos, eles eram turvos de infame sentimento. E não mais lhe dei um beijo de despedia.
Estranho é lhe desejar bem em braços alheios, pois teus sorrisos me fazem viver mais venturoso. Cara estrela minha, por desventura dessa trama que é a vida que nos uniu trilhamos caminhos desiguais. E como uma criança, tive na angustia das lágrimas meu desabafo. Assim dei início a minha cegueira. Fervilhando de paixão, agoniado de desejo de lhe ver. Precisava lhe dizer “olá”, mas não sabia como esconder esse rasgo aberto, que tanto latejava.
Quanta estupides saiu dos lábios de quem só desejava dar-te afago.
Agora um arrependimento pela insanidade da petulante atitude, sem aviso, sem querer. Impulso que me fez gritar dentro de mim o quanto fiz doer mais.
Me pergunto se sabes quando lês um poema feito à ti. E com a conta do número de estrelas, que no céu jazem, peço que... Que tenha carinho por cada palavra oferecida à tua graça.
E agora, com a certeza do eterno amor de Píramo e Tisbe, que o sangue comoveu os Deuses, profiro ao mundo: O meu amor está entregue.
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